06 janeiro 2016

Cansado de esperar pelo poder público, agricultor perfura poço e distribui água para a vizinhança

A situação dos agricultores que moram  nas comunidades rurais de Bom Jesus, Riacho e Furna da Onça não é pior, graças a atitudes de pessoas como Francisco de Assis Nogueira.


Cansado de esperar pelas ações do Poder Público, Francisco resolveu por conta própria investir 4 mil reais e perfurar um poço na comunidade. Com a vazão de 4 mil litros d’água por hora, ele consegue retirar uma média de 10 mil litros d’água diariamente e distribuir para as comunidades. E o detalhe: sem cobrar um real por isso.
Eu estava precisando de água e os vizinhos também. As vezes sai uns 10 mil litros, depende do consumo da população. Forneço de graça, só na amizade. Para enfrentar essa crise o meio mais fácil tem sido esse poço,  e o mais difícil é esperar pelos governos. Eles vem com motor deles, coloca aqui e pega água para quem precisa”, disse Francisco ao Blog do Marcos Dantas.

Cledinilza Batista Dantas é a agente de saúde responsável por atender as comunidades visitadas pelo Blog. Por estar diariamente nas residências, conhece a realidade de todos que moram no Bom Jesus, Furna da Onça, dentre outras localidades da Zona Rural de Caicó. Chega a revoltar, ela garante. “As pessoas dependiam de carros-pipas, a prefeitura cancelou e agora dependem da solidariedade dos que recebem água do Batalhão, e que acabam dividindo com os que não têm. Quando acaba a água deles antes do tempo para ser reabastecida, não vai ter mais. São muitas pessoas carentes que não tem condições de comprar água. Quase todos estão usando água de poços, e que futuramente pode prejudicar a saúde destas pessoas”, explicou Nilza.

Como agente de saúde, Nilza demonstra sua preocupação com os impactos que a falta d’água já tem proporcionado à saúde dos agricultores. “Você chega numa casa que tem criança, não pode mais lavar a casa porque não tem água. As pessoas tem que ficar com a roupa suja por muitos dias, porque não tem mais água. está chegando a esse ponto e eles reclamam disso”, finalizou.

Por Marcos Dantas
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