07 abril 2016

Mais uma lapada no lombo de Eduardo Cunha

Leonardo Meirelles, parceiro de negócios de Alberto Youssef, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

O doleiro Leonardo Meirelles, parceiro de negócios de Alberto Youssef, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República e entregou o que classifica de novas provas sobre a transferência de US$ 5 milhões para contas secretas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O montante, segundo a Procuradoria, foi a propina que Cunha recebeu do empresário Julio Camargo após a Petrobras contratar dois navios-sondas da empresa coreana Samsung e da japonesa Mitsui, em 2006 e 2007.

Cunha teria recebido a propina porque o PMDB indicou Nestor Cerveró para a diretoria internacional da Petrobras, que fez o negócio. O deputado nega que tenha recebido suborno e disse que Meirelles terá de provar o que diz.

Os documentos mostram que os US$ 5 milhões saíram de banco chinês com que o doleiro trabalhava e foram depositados em contas na Suíça que seriam de Cunha, segundo Haroldo Nater, advogado de Meirelles.

Com os novos documentos, os investigadores da Lava Jato dizem ter fechado o círculo de provas em torno de Cunha: há documentos suíços apontando que a conta é dele e documentos chineses mostrando que o dinheiro saiu da conta do doleiro que operava com Youssef.

Os US$ 5 milhões foram depositados em três parcelas: duas de US$ 2,3 milhões em outubro de 2011 e junho de 2012, e uma de US$ 400 mil, em julho de 2012.

Os dois primeiros depósitos saíram de contas mantidas por uma empresa de Meirelles, a RFY Import and Export Ltd.; o terceiro partiu da DGX Import and Export. As empresas de fachada foram usadas para enviar ou trazer dólares para o Brasil por meio de importações simuladas.

Meirelles, por sua vez, recebeu os valores de Julio Camargo, que fez transferências da Suíça para a China.

O doleiro tornará pública as provas em depoimento que deve prestar nesta quinta (7) no Conselho de Ética da Câmara, que analisa o pedido de cassação do deputado por quebra de decoro.

Cunha negou no ano passado ter contas na Suíça, mas autoridades daquele país dizem ter encontrado quatro contas do deputado e seus familiares. Delatores citaram outras cinco contas que seriam de Cunha, o que o deputado nega com veemência.

Nater, o advogado de Meirelles, diz que a Câmara se comprometeu a pagar a passagem dele e de seu cliente para Brasília, como é a regra no Conselho de Ética, mas Cunha vetou. Meirelles decidiu que bancaria a viagem por conta própria.

Condenado a cinco anos e seis meses de prisão e réu em outras duas ações, Meirelles vai cumprir a pena em regime aberto graças à delação e pagará multa de R$ 350 mil.

OUTRO LADO

A assessoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que Leonardo Meirelles terá de provar que as contas que receberam US$ 5 milhões são do presidente da Câmara.
O deputado já teve quatro contas na Suíça, segundo autoridades daquele país, mas duas foram fechadas. O saldo atual das contas é de US$ 2,4 milhões, mas elas receberam US$ 4,8 milhões e 1,3 milhão de francos suíços.

Cunha diz que não mentiu ao dizer que não tinha conta na Suíça. Segundo ele, o controle é feito por um trust, um tipo de contrato no qual o dono dos recursos transfere a administração a um terceiro. 

Por folha de São Paulo

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