05 junho 2016

"Queremos realizar o concurso ainda este ano", disse Eulália de Albuquerque Alves, Secretária Estadual de Saúde, em entrevista a Tribuna do Norte

Em entrevista concedida a repórter Margareth Grilo, da Tribuna do Norte, a Secretária Estadual de Saúde, Eulália Albuquerque Alves, falou sobre os resultados já obtidos em sua gestão, sobre os desafios da pasta e adiantou que já existe um processo para realização do concurso público tramitando na Procuradoria-geral do Estado.

Por Margareth Grilo – Tribuna do Norte | Foto: Adriano Abreu 

Ter uma visão que atinja cinco pilares: traumatologia, pacientes crônicos, UTI Neonatal, UTI infantil e UTI adulto.


Essa é a linha de atuação definida pela secretária de Estado da Saúde Pública, Eulália Alves, que assumiu a pasta há 32 dias. Nesta entrevista, a médica falou sobre os projetos em andamento, desafios à frente da Saúde e realização de concurso público para temporários e efetivos. Eis a entrevista:

Que cenário a senhora encontrou na Saúde Estadual?

É um cenário que é o perfil de todo o país. Estamos vivendo uma crise, os hospitais com seus problemas peculiares da região, outros com um perfil de doenças que são características do momento, é uma situação igual em todo país. Nós estamos passando por uma crise financeira importante e não é diferente do que a gente encontra em outros estados.

Onde é mais difícil amenizar os problemas?

De um modo geral todos [os problemas] são semelhantes. A gente fez um levantamento, a gente já começou a atuar em algumas situações, como os prontos-socorros do interior, os quais estamos fazendo cogestão com os municípios. Situações como a da maternidade de Macaíba, que há vários anos não nasce nenhuma outra criança. Outras maternidades estão sobrecarregadas e nós estamos tentando resgatar os perfis de cada unidade, do que ela tem a dar em contrapartida. A gente tá favorecendo esse crescimento, em Macaíba em meados deste mês a gente inaugura a maternidade.

Um dos problemas crônicos está no Hospital Walfredo Gurgel, que enfrenta superlotação, principalmente, pela crise na ortopedia e no abastecimento de medicamentos e insumos. Essa situação pode ser amenizada em quanto tempo?

Já começamos a ter resultado dentro do que nós planejamos. Por exemplo, temos o hospital de retaguarda, que é o Hospital Deoclécio Marques. Ele fazia em torno de 298 cirurgias por mês. No mês de maio chegou a 423 cirurgias, com o perfil de traumatologia, que é do próprio hospital. Com isso, os corredores do Walfredo foram diminuindo principalmente daqueles pacientes com fraturas de femur, idosos. A retomada do atendimento do hospital Memorial, que foi decidida em reunião com as secretarias de Saúde do Estado e Município e o hospital, também ajudou. Ele está atendendo com a mesma cota de antes. E quanto ao fornecimento [de insumos], a gente está com toda uma força tarefa junto com a coordenação da Unicat. Já demos alguns passos bem importantes. Tem também a situação dos pacientes crônicos, principalmente os renais. Já começamos projeto para o tratamento dos pacientes que tem a necessidade do uso do 'duplo J' [cateter usado para drenar urina] e na próxima semana iremos começar um mutirão e assim vamos começar a diminuir a quantidade de pacientes do Walfredo Gurgel.

E Hospital Ruy Pereira, como está a utilização dessa unidade?

A gente já tem um projeto para o Ruy Pereira que é tudo relacionado aos perfis. A gente está traçando de acordo com o perfil daquela unidade. O perfil deles é de tratar o paciente com doença crônica do pé diabético, que é uma patologia que é sequela do tratamento básico que não é realizado. Já está sendo traçado para que ele seja o hospital para cirurgia de pacientes crônicos de pé diabético.

As dívidas com fornecedores estão sendo reduzidas?

Quando a gente chegou a gente fez o repasse dos Restos a Pagar. A gente tem um plano de negociação para quitar as dívidas antigas ao mesmo tempo de manter a atual em dia. Estamos em reuniões para definirmos isso.

A senhora pode apontar qual é esse valor?

A gente está finalizando com o pessoal do administrativo e financeiro e com os credores. Na próxima semana iremos negociar com os credores as dívidas de serviços e insumos.

E a regionalização com os hospitais. Como isso está evoluindo?

Como eu disse anteriormente, nós estamos traçando os perfis dos hospitais. E o foco da gestão será esse, da regionalização, com o perfil desses pacientes, das patologias existentes e patologias da região, para desafogar principalmente a rede que está na capital.

As prefeituras colocam a questão da dificuldade financeira. Então há muita dificuldade nesse trato com os municípios?

Começamos esse trabalho com o município de Assu. Iremos finalizar o projeto quarta-feira (8). Junto com o Ministério Público nós estamos fazendo cogestões. Com Assu foi bem tranquilo e procuramos os outros municípios para compactuar com a gente.

O orçamento do Estado teve alguns cortes para 2016. A Saúde foi afetada. A senhora considera o orçamento suficiente para a demanda que tem a pasta?

A situação [de cortes] não é só no Estado do Rio Grande do Norte, é nacional. Houve redução, houve. Mas estamos procurando meios, ver como podemos somar tirando de outras fontes. Na realidade, só podemos dizer como vai ser depois dos 30 dias de gestão.

Um dos grandes problemas da administração é o déficit de pessoal. Qual o prazo que se tem para um concurso público?

Tem um processo correndo para concurso público para provisórios e efetivos. Ele já está sendo apreciado junto à procuradoria (do Estado). Já tivemos uma reunião e já solicitamos a brevidade disso. Ainda não tenho como precisar número de vagas, mas posso adiantar que queremos realizar o concurso ainda este ano.

Enquanto o concurso não é realizado, como será equacionado esse déficit na rede pública de saúde? A Secretaria está ampliando as terceirizações?

Não efetuamos nenhuma contratação a mais. Estamos fazendo um levantamento de todos os nossos servidores para redistribuir de acordo com cada especialidade. Por enquanto é só isso que estamos fazendo.

Voltando a situação do Walfredo. Ele é o maior hospital do Estado e, apesar de ser uma unidade de trauma, acaba absorvendo uma demanda maior e diferente de seu perfil...

O perfil do Walfredo Gurgel é de trauma geral. A rede da periferia, os municípios, não assumem esses pacientes. E também são pacientes que vem da rede básica que não são tratados. Quando a gente terminar de fazer as pactuações, a regionalização, o contexto geral da gestão, a demanda irá diminuir.

A ortopedia, que é a sua área, foi a que passou por mais problemas. É uma situação crônica...
A fila já está sendo diminuída. Tanto é que nas 423 cirurgias que foram feitas no mês de maio tinham na lista pacientes que estavam na fila de espera do Walfredo Gurgel. A Ortopedia não é um problema do Rio Grande do Norte. É um problema mundial. É a especialidade que mais cresce e a segunda é dos pacientes crônicos. Estes irão mostrar um número bem representativo daqui 10/15 anos. A população está cada vez mais velha. As pessoas, de uma forma geral, têm acesso a um tratamento e uma melhor alimentação, e consequentemente vivem mais. Tem que se ter o pensamento da medicina do futuro. Agora é comum encontrar pessoas com 90 anos fazendo cirurgias ortopédicas, lúcidas e bem. Nós não estávamos preparados para que a população vivesse tanto.

Há necessidade de aumentar a verba federal, não?

É preciso fazer um maior estudo da aplicabilidade dela. Tentar dividir, desmembrar, o uso dela. Tudo isso depende de estudos.

Na região metropolitana de Natal, além da Maternidade de Macaíba, há um planejamento para expandir a área materno-infantil?

O outro hospital que temos intenção de ampliar a médio prazo é o Hospital Santa Catarina, que também tem perfil materno infantil. Ele precisa passar por um projeto grande de ampliação.

O Estado já tem alguma data para iniciar a construção do Hospital de
Trauma?

Ainda está em discussão. O projeto está na fase de estabelecimento do projeto, quanto a localização, quanto a tudo. É preciso ver uma área estratégica da localização desse hospital de forma que favoreça as quatro saídas que tem em Natal. A secretaria quer ter uma visão que atinja cinco pilares: traumatologia, pacientes crônicos, UTI Neonatal, UTI infantil e UTI adulto.

No caso das UTIs, o RN possui um grande déficit. O que está sendo feito para contornar o problema?

Já estamos elaborando um projeto que irá contemplar regiões com UTI's adulto, infantil e neonatal. Até o final do ano, os projetos com essas localizações estão concluídos com o perfil e a demanda de leitos para cada região. Estamos fazendo um levantamento dos recursos para sabermos como iremos favorecer esses projetos, principalmente aqueles que fazem parte da rede de emergência.

Existe um levantamento da ANS que aponta que os planos de saúde perderam um número significativo de usuários nos últimos anos. Essas pessoas migram para a rede pública. O Estado tem que estar preparado para receber essa demanda, não é mesmo?
Os números já estavam sinalizando para isso. Não houve um preparo para o contexto geral. Faltou planejamento, projeto e execução.

Qual é o principal desafio que a senhora vê frente a Sesap?

Primeiro é servir a população. Tentar dar o melhor que a Sesap pode dar à população. Traçar uma medicina bem mais definida para ver se conseguimos dar o melhor à população. Tentar detectar os problemas de cada região, se deparar com as situações emergenciais e ter uma saída para elas.

O que a sociedade pode esperar a curto prazo?

Nosso foco principalmente é a emergência. Tentar diminuir a superlotação dos hospitais e melhorar a situação do abastecimento. Nos preocupamos com as unidades de saúde do interior, organizando os serviços de uma maneira mais imediata e mais básica possível de forma que esses pacientes sejam atendidos em suas regiões e sejam encaminhados para capital apenas em caso de urgência.

Existe também um grande problema com a burocracia, não é mesmo?

Por isso que a visão da gente nessa gestão é de principalmente tentar desmembrar os entraves para tentar contorná-lo. É uma equipe técnica com característica de gestão. Se depender de trabalho, nós iremos trabalhar sempre focando na população. Temos fé de que iremos entregar a pasta mais organizada e com um atendimento melhor para a população.

http://saude.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=102919&ACT=&PAGE=&PARM=&LBL=MAT%C9RIA


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