21 julho 2016

[ARTIGO] Como vai a juventude cearamirinense?

Como alguém que nasce na periferia da cidade, desprivilegiado sócio e economicamente, terá igualdade de condições de disputar vagas no mercado de trabalho com outros cidadãos que nascem em camadas sociais mais prestigiadas?

Por Ari Duarte

Quais as políticas públicas de oportunidades para nossos jovens? Quais os mecanismos de inserção na vida adulta, seja no âmbito profissional ou acadêmico? Existe incentivos a prática esportiva? E quanto a questão das drogas, existe um combate eficiente a este mal, neste grupo em especifico?

Diante de todos estes questionamentos e do cenário vivenciado por adolescentes e adultos jovens de nossa cidade, nos permitimos dialogar com nossos leitores sobre este contexto. É evidente e de amplo conhecimento, que este tema jamais foi uma prioridade para o poder público local. Não existe na prática uma política pública, de relevante espectro, que alcance esta faixa etária, permitindo um acesso adequado, a condição de cidadania plena para estes cidadãos, com igualdade de condições sociais e educacionais.

Em um cenário de pouca ou nenhuma preocupação com as camadas jovens da população, era de se esperar que os mais vulneráveis, sejam os mais prejudicados. Como alguém que nasce na periferia da cidade, desprivilegiados sócio e economicamente, terá igualdade de condições de disputar vagas no mercado de trabalho, com outros cidadãos que nascem em camadas sociais mais prestigiadas? Simples, o intelecto e formação educacional podem superar este dilema. Mas o que dizer da educação oferecida para nossos adolescentes, pelo ente público? Os índices de avaliação de desempenho, tão frágeis para este segmento, não nos deixam dúvidas que se trata de concorrência desleal.

Não é novidade para nós, que vivenciamos o cotidiano de Ceará-Mirim, observar um crescente no número de atos de criminalidade e/ou mesmo de assassinatos de jovens e adolescentes na nossa população, a maioria com vivencia no submundo das drogas. Ao passo, que não se percebe uma preocupação nas autoridades constituídas, de uma política séria de enfrentamento deste problema.

É óbvio que mudar esta realidade não será através de uma passe de mágica, entretanto, existe a necessidade imediata de ações e estratégias, centradas em meios de oportunidades para que esta população não permaneça desassistida do poder público.

Temos um equipamento novo e que deveria ser de valorização e melhor aproveitamento por nossos jovens, me refiro ao IFRN. Precisamos melhorar a ocupação daquela unidade educacional, através de uma campanha de motivação e de orientação quanto à sua importância na formação de futuros profissionais, que melhor adentrarão ao mercado de trabalho.

Vejo no Esporte, outra importante ferramenta, pouco utilizada pelos entes públicos, para direcionar nossa juventude, no bom caminho da cidadania e de combate à problemática das drogas e da criminalidade no nosso meio social.

Percebo na cultura, no respeito e valorização das nossas tradições culturais, outro segmento forte de inclusão social e cidadania, que podem fortalecer e valorizar nossos jovens cearamirinenses.

Enfim, um futuro melhor para nossa juventude tem um requisito claro e complexo, que será possível com ideias sérias, criativas e inovadoras, mas sobretudo, que sejam determinadas por algo primordial, difícil de se ver nos tempos atuais, denominado de OPORTUNIDADES.

Ari Duartte é um cearamirinense filho de uma família humilde, tem 36 anos, é enfermeiro formado pela UFRN desde 2006 e atua no SAMU e na Casa de Saúde São Lucas, em Natal. 

Crítico da atual gestão municipal de Ceará-Mirim, suas colocações têm tido muita repercussão através das redes sociais, principalmente no Grupo DIALOGA, onde é membro efetivo. Profundo conhecedor das questões relacionadas a saúde pública, Ari não se furta em debater qualquer assunto de interesse da comunidade, o que o faz ser reconhecido por todos como um excelente nome na luta por uma Ceará-Mirim melhor.

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