06 julho 2016

[ARTIGO] A Saúde Pública de Ceará-Mirim em estado gravíssimo

Que a saúde pública do nosso município anda muito ruim, já não é novidade para ninguém. O que muita gente não sabe, são as causas deste desmantelo gerencial, mesmo de posse de um orçamento anual que gira em torno de 31 milhões de reais.  


Por Ari Duarte

Chamar a atenção do contribuinte local é o foco deste nosso diálogo.

É bem verdade que todos os entes da federação e o próprio governo federal alegam dificuldades no setor saúde. E como não alegariam?

Há décadas percebemos o desmanche e rebaixamento do SUS em detrimento e favorecimento da iniciativa privada, renegando as classes mais carentes, o abandono da própria sorte em hospitais desabastecidos e sucateados, em um pleno flagrante de negligência com um direito garantido pela constituição federal.

Trazendo o cerne desta discussão, para o plano do nosso município é nítido perceber, que entre situações de descaso e ineficiência com a saúde pública (daqueles que não podem pagar um bom plano), estaríamos em condição privilegiada, se fosse uma competição para ver quem se encontra em pior quadro.

Não existe justificativa, para que a gestora da pasta e do fundo municipal de saúde permaneça intocável, mesmo diante de tantas situações calamitosa, que são amplamente difundidas na mídia escrita, falada e televisiva, assim como nas redes sociais, que passam, desde a constante falta de médicos nos postos de saúde, ao colapso do desabastecimento do hospital Dr. Percílio.

Como explicar determinadas situações que permanecem sem respostas, ao longo de todo mandato da atual administração:

Como explicar a devolução dos Médicos do Programa Mais Médicos do Governo Federal, diante das necessidades da população? Profissionais estes, bancados pela esfera federal.

Como explicar a falta de médicos obstetras no hospital, ocasionando a transferência para a ambulanciaterapia, o momento mais sublime de uma mulher, o direito de dar a luz a uma criança na sua própria comunidade?

Como explicar a falta de cuidado com a atenção básica nos postos de saúde, serviço este fundamental, na prevenção e diagnósticos prévios de doenças, em todas as faixas etárias(?).

Como explicar a inexistência de concurso público na cidade, em mais de 7 anos, para suprir as necessidades de médicos e eventuais profissionais, indispensáveis ao atendimento digno a população?

Como explicar, que enfermeiros e dentistas dos postos de saúde, estejam a mais de 10 anos sem único aumento salarial?

Como explicar, que mesmo diante deste cenário de completo abandono, com a pasta mais importante de uma gestão, a administração municipal demonstra interesse em transferir recursos da ordem de quase 10 milhões de reais (1/3 de todo o orçamento), para uma entidade terceirizada, desconhecida, inexperiente, estranha e de outro estado da federação? Isto, com a finalidade de gerir a contratação de profissionais terceirizados. Papel este, que deveria ser da própria secretária e de sua equipe.

Estratégias suspeitas como esta abrem lacunas para diversos questionamentos legais e morais. Demonstram a incompetência por parte da gestão e desrespeitam toda a população.

Enfim, de acordo com apenas alguns pontos relatados da atual conjuntura, fica evidenciada, que a saúde pública de Ceará-Mirim encontra-se muito mal gerenciada, que é necessário rever os mecanismos de controle e fiscalização (seja através das instâncias jurídicas, seja do fortalecimento do Conselho Municipal de Saúde, seja através do papel de fiscalizador, entregue pelo povo aos atuais vereadores), e ainda mais evidente, que existe uma clara e urgente necessidade de mudança geral nos atores responsáveis, por este cenário lamentável.

Ari Duartte é um cearamirinense filho de uma família humilde, tem 36 anos, é enfermeiro formado pela UFRN desde 2006 e atua no SAMU e na Casa de Saúde São Lucas, em Natal. 

Crítico da atual gestão municipal de Ceará-Mirim, suas colocações têm tido muita repercussão através das redes sociais, principalmente no Grupo DIALOGA, onde é membro efetivo. 

Profundo conhecedor das questões relacionadas a saúde pública, Ari não se furta em debater qualquer assunto de interesse da comunidade, o que o faz ser reconhecido por todos como um excelente nome na luta por uma Ceará-Mirim melhor.
 
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