07 julho 2016

Vereadora Amanda Gurgel deixa o PSTU por questões ideológicas


A menos de três meses para as eleições, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) se dividiu e uma nova legenda deverá ser formada com cerca de 700 dissidentes. Em Natal, a vereadora Amanda Gurgel segue este grupo, mas ainda não está oficialmente fora da sigla. Contudo, a reeleição dela não contará mais com o apoio do partido.

Fenômeno das eleições passadas, com mais de 32.819 votos, Amanda Gurgel explica que sua relação eleitoral e de filiada permanece no PSTU. “A ruptura que estamos tendo agora é do ponto de vista político. É uma separação amigável. Ambos os lados entendem que as divergências, nesse momento, não seriam superadas nem há possibilidade de uma proposta única para atender os dois grupos”, explica a vereadora.

No Rio Grande do Norte, mais precisamente em Natal, 22 pessoas que seguiam as orientações do partido decidiram deixar a legenda, na prática. Na teoria, ainda estão oficialmente filiados. “Não nos reunimos, nem fazemos mais parte. Estamos ficando na legenda porque aconteceu no período em que não temos como ter outra localização neste momento eleitoral. Não temos perspectiva de ir para outra legenda ou legalizar um novo partido agora”, conta Amanda Gurgel. Toda a atuação a partir de agora, diz, não será mais para o PSTU, mas para construir uma nova organização.

Com isso, as dificuldades para as eleições que ocorrerão em menos de três meses deverão aumentar, de acordo com as previsões da vereadora. A dissidência dentro do partido ocorre de forma pacífica, mas reduz o número de militantes em cada lado e, provavelmente, o potencial de doações para a campanha. Amanda também deve perder o apoio financeiro do partido e o tempo de propaganda em rádio e televisão, que já é mínimo.

“Teremos mais dificuldade porque temos menos militantes na nossa organização. Não sabemos se o PSTU vai disponibilizar tempo de TV. Dessa vez o provavel é que não tenhamos ajuda financeira que o partido mantém nas campanhas, mas do ponto de vista eleitoral, aceitação do público e divulgação das propostas não teremos grande impacto do rompimento. Temos toda a disposição para utilizar as redes sociais e chamar as pessoas para dar um passo à frente”, declara Amanda.

O esforço será para conseguir fortalecer o pequeno grupo, estimular e conseguir novas adesões. Desse grupo, o engajamento será essencial para disseminar as propostas de campanha e arrecadar fundos para os custos da mesma. Por outro lado, Amanda não terá mais interferência do partido no mandato. Segundo diz, esse é mais um ponto que ficou acordado. Antes o PSTU coordenava parte dos recursos do salário e da verba de gabinete, que agora ficam a inteira disposição do mandato. Em todo o país, o PSTU tem apenas dois parlamentares: Amanda em Natal e Kleber Rabelo, em Belém/PA. Ele permanece na sigla.

Ainda sobre as eleições, Amanda diz que qualquer decisão sobre formação de coligação e até candidatura na chapa majoritária, não terá mais sua participação. Ela defendia apenas coligações na proporcional para fortalecer a representatividade da esquerda no parlamento, mas se posicionava contrária ao partido lançar candidato a prefeitura.

“A decisão vai ser tomada pelos que optaram ficar no partido. Eu defendia que os partidos de esquerda estivessem unidos não apenas nas manifestações, mas nas eleições para que demarcássemos um campo de esquerda para enfrentar a burguesia com PSOL, PCB e PSTU e outras organizações de esquerda. Não tinhamos a defesa de uma candidatura na majoritária”, afirma.

Para o resultado das urnas neste ano não é esperado o mesmo fenômeno de votos do pleito de 2012, mas ela está confiante na reeleição e diz que dependerá do trabalho e engajamento dos militantes. “Foi um fenômeno eleitoral e dificilmente isso se repete. Estamos conscientes, mas confiantes na possibilidade da reeleição, que só será possível se nossa militância se jogar e fizer apoio político e financeiro; nessas condições, acreditamos que poderemos ter grande chance de reeleição”, conclui.

O NOVO procurou o presidente estadual do PSTU, Dário Barbosa, que permanece à frente da legenda, para que se pronunciasse sobre a nova realidade do partido, mas não conseguiu contato durante toda a tarde de ontem (6).

Impeacment provocou rompimento 

Entre os pontos divergentes entre os militantes do PSTU, dois se destacam e estão diretamente ligados ao processo de impeachment da presidente (afastada) Dilma Rousseff (PT) e da ascenção do seu vice, presidente (interino) Michel Temer (PMDB), além de outras discordâncias em torno dos movimentos de lutas de classe ao longo dos anos. A legenda foi fundada em 1993, a partir de um rompimento com o PT.

O partido emitiu ontem um comunicado informando sobre a dissidência que está sofrendo. Explicou que defende o afastamento de todos os políticos envolvidos nos escândalos de corrupção no movimento chamado “Fora Todos Eles”, mas os descontentes querem que o PSTU se posicione contra o afastamento de Dilma porque acreditam que o impeachment foi uma “manobra” arquitetada pela Direita e que não tem legitimidade.Apesar disso,continuam se posicionando como oposição a Dilma. Defendiam também que a legenda participasse dos atos da Frente Povo Sem Medo, encabeçada pelo PSOL e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) para a formação de uma aliança de esquerda que tivesse como eixo o combate ao impeachment.

A nota da direção nacional do PSTU disse que a maioria do partido rechaçou esta posição por considerar que o “não ao impeachment” e “a participação em atos da Frente Povo Sem Medo significava, na prática, a mesma postura política da campanha contra o suposto golpe, deflagrada pelo PT para tentar manter Dilma no governo”. Disse ainda que os dissidentes dão muita importância “às eleições burguesas, maior do que elas deveriam ter para os revolucionários”.

Em Natal, está programado para o próximo dia 15, no auditório do SindSaude, a apresentação do manifesto intitulado “É preciso arrancar alegria ao futuro”, elaborado pelos dissidentes. O ato nacional de lançamento ocorre no dia 23 em São Paulo com transmissão on line. O grupo defende no manifesto que o combate ao impeachment não pode “ser apropriado pela direção do PT em seu projeto de voltar ao poder com a candidatura, em 2018, de Luiz Inácio Lula da Silva, por isso a necessidade de o partido tomar uma posição”. Afirma ainda que deve ser construída “a mais ampla unidade na ação prática, na luta comum, e avaliamos que esta luta passa hoje pela bandeira do Fora Temer”.

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