18 outubro 2016

Esquema com Aviões do Forró sonegou R$ 500 milhões, diz Polícia Federal

Xand e Solange prestaram esclarecimentos na Superintendência da Polícia Federal do Ceará nesta terça-feira, 18.


A Superintendência da Polícia Federal do Ceará reuniu a imprensa nesta terça-feira, 18, para apresentar os resultados parciais da operação "For All". A ação realizada em parceria com a Receita Federal tem como objetivo desarticular um esquema de fraudes no Imposto de Renda arquitetado por um grupo empresarial atuante no ramo do entretenimento e responsável por famosas bandas de forró e casas de show no estado do Ceará, entre elas, a banda Aviões do Forró.

Segundo a delegada Dora Lúcia Oliveira de Souza, até o momento, foram apreendidos R$ 600 mil em dinheiro, 69 veículos e bloqueados 163 imóveis de pessoas ligadas ao grupo empresarial. "As buscas ainda não estão concluídas", frisou ela, informando também que Xand e Solange Almeida, vocalistas da banda Aviões do Forró, já prestaram depoimento. "Eles foram ouvidos, mas foram só esclarecimentos. Vale ressaltar que foi apenas um termo de declaração", disse. 

Há indícios de que os integrantes da organização procuravam eximir-se da cobrança de tributos fornecendo dados falsos ou omitindo dados relevantes em suas declarações de Imposto de Renda pessoa física e jurídica.

O grupo ainda adquiria bens, como veículos e imóveis, sem declarar ao Fisco. Também foram encontradas divergências sobre valores pagos a título de distribuição de lucros e dividendos, movimentações bancárias incompatíveis com os rendimentos declarados, pagamentos elevados em espécie, além das diversas variações patrimoniais. No decorrer da investigação, foram identificados indícios de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa.

De acordo com a delegada, a investigação avaliou o período entre 2012 e 2014. "Só com as bandas, com shows, houve uma omissão de rendimentos tributados na casa dos R$ 120 milhões. Isso exclui vendas de CDs, cotas de patrocínio e ganhos com publicidade. Se contar com todas as empresas, temos uma omissão na ordem de R$ 500 milhões. Esse é um número inicial", contou. "Essa operação é um trabalho expressivo. Ela vai buscar a corrupção não só onde estamos acostumados a ver, como na política".

O nome “For All” faz referência à expressão da língua inglesa “for all” (para todos). Há notícias de que no início do século XX, engenheiros britânicos instalados em Pernambuco para construir uma ferrovia promoviam bailes abertos ao público (for all). Assim, o termo passaria a ser pronunciado "forró" pelos nordestinos. O nome da operação veio dessa origem popular da palavra "forró", principal ramo de atividade do grupo investigado.


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