03 dezembro 2016

Lava-Jato localiza e-mail usado por Cunha para transações na Suíça


O Globo - A força-tarefa da Lava-Jato localizou um e-mail que pode ter sido usado pelo ex-deputado Eduardo Cunha para movimentar dinheiro de corrupção no banco Julius Baer, na Suíça. O endereço eletrônico “ctrivoli0987” foi criado em outubro de 2015 por Kayze Nunes Caze, ex-funcionário da Câmara dos Deputados, lotado no gabinete de Cunha. Segundo os procuradores, Caze era bastante próximo ao deputado — os dois trocaram documentos inclusive sobre os processos de investigação de Cunha. Caze deixou o posto em setembro passado.

O e-mail foi criado em nome de “Carlos Trivoli” e usado para movimentar a conta Orion. Na mensagem eletrônica encaminhada a uma funcionária do banco suíço, “Carlos Trivoli” confirma depósitos no valor de 1,3 milhão de francos suíços feitos em 2011. Os procuradores observam que este é justamente o valor da propina que teria sido paga a Cunha pelo contrato de exploração na África. As perfurações nunca chegaram ao petróleo.

Em outra mensagem trocada pelo e-mail “trivoli0987”, a funcionária do banco suíço encaminha ao interlocutor extratos bancários das contas Orion SP e Triumph, que, segundo o MPF, pertencem a Eduardo Cunha. Ela alerta: “fiquemos antenados para nosso encontro pois é importante”.

“Trata-se, justamente, da quantia imputada pelo MPF como recebida por Eduardo Cunha, a título de vantagem indevida, na aquisição pela Petrobras de um campo de petróleo em Benin, na África, e que é objeto da ação penal”, afirmam os procuradores.

“Essas provas indicam que Cunha era o efetivo beneficiário e controlador das contas Orion e Triumph”, abastecidas com propinas acertadas na compra, pela Petrobras (...)”, diz o documento do MPF, anexado à ação movida contra Cunha.

As mensagens são originadas num computador instalado no Rio de Janeiro, e o MPF investiga, pelo endereço do IP, o endereço de quem trocou as mensagens. Os procuradores suspeitam que o usuário do e-mail seja ligado a Cunha — ou até o próprio ex-deputado. Procurado, o advogado de Cunha não se manifestou.


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